Fui rapidamente mobilizado e quase não tive tempo para acabar o Técnico[1] (fiz as últimas cadeiras já em Mafra[2]).
Seguiram-se passagens, nem sempre rápidas, por quartéis em Penafiel, Bragança, Vila Nova de Gaia e Santa Margarida, até que embarquei para Angola integrado num Batalhão de Artilharia, o 6222/73, em missão de soberania[3].
O Batalhão sofreu a primeira baixa em Santa Margarida: o nosso capitão (comandante da minha companhia) foi apanhado a sair do quartel com uma mala atulhada de bacalhau e latas de azeite, de modo que foi discretamente afastado. Encontrei-o, meses depois, em Luanda, mas não tive lata de lhe perguntar como é que se safara do imbróglio...
Fomos de avião, a Força Aérea tinha nesse tempo dois Boeing 707 que se revelavam muito mais adequados ao transporte da tropa (e mais económicos) do que os navios (em particular o Vera Cruz, que durante muitos anos transportou militares de e para África). A rapidez do transporte era muito importante, pois evitava que os militares permanecessem sem fazer nada durante os dez ou quinze dias que o “cruzeiro” durava (caso se destinassem respectivamente a Angola ou a Moçambique).
De avião, era outra limpeza: o pessoal cantava umas cantigas, bebia uns copos, passava pelas brasas e … estava em Luanda.
Seguia-se um curto estágio no Grafanil (campo militar às portas de Luanda) para todo o batalhão se reunir, ser armado e equipado, acabando por seguir para a localidade de destino.
A minha unidade destinava-se a Quibaxe, em plena zona do café, nos Dembos, que não me era estranha (de nome…), pois o meu pai tinha lá estado cerca de um ano, precisamente no batalhão que íamos render.
Pelo caminho tivemos um sobressalto, quando se fez ouvir o estrondo de um rebentamento, mesmo junto à estrada. Todo o mundo saltou dos camiões, jipes, unimogs, etc, e, por estranho que pareça, não começámos aos tiros para os ramos com aspecto mais suspeito: portámo-nos na linhaça, deitados de ambos os lados da estrada, tensos e atentos. Quando alguém informou que se tratara do rebentamento de um pneu foi a descontracção total, e foi uma chatice para se conseguir que, pelo menos parte do pessoal, se mantivesse alerta, montando segurança enquanto se mudava a roda.
De resto, a viagem prosseguiu sem incidentes, com paragens no Úcua (nome ligado às chacinas de 61) e no Piri (onde ficaria uma das companhias do Batalhão). Desta última povoação partia um desvio da estrada principal (a estrada do café) que nos levava até Quibaxe.
Era sede de concelho, pelo que tinha um Administrador (um furo acima do chefe de posto, figura fundamental na administração colonial) e uma pequena delegação da PIDE (então já na sua versão DGS) com o sr Antunes à cabeça, apoiado num grupo de Flechas (uma secção ou um pelotão, não me lembro já).
A vilória ficava numa zona relativamente plana, e num dos extremos subia pela encosta de um morro, no cimo do qual ficava uma capelinha. A meia encosta ficava o forte a que já me referi, onde a população branca se refugiou aquando dos massacres de Março de 61.
Esta política nunca foi levada muito a sério em Angola, mas pontualmente houve algumas tentativas de a implementar. Na zona dos Dembos havia a ideia (realista) de que, por um lado, não era viável meter tanta gente em sanzalas “da paz” e prover as suas necessidades; por outro lado, havia a convicção (que também me parece realista) de que ter um “bando de turras” a controlar o que se passa no quartel e a comunicar ao pessoal da mata, era tudo menos desejável[4]. No leste, onde a população era escassa e a vegetação menos luxuriante que no norte, poderia ser mais fácil concentrar a população e evitar contactos com o IN.
O dispositivo militar contava, para além do comando de Batalhão, com uma das companhias, um PAD (Pelotão de Apoio Directo, unidade independente) onde se reparavam armas e viaturas (principalmente viaturas) e um PINT (Pelotão de Intendência). As outras duas companhias do Batalhão ficaram no Piri (na estrada do café, como já referi) e no Bom Jesus, um buraco infecto onde se chegava depois de horas e horas em picada poeirenta.
Para quem não esteja familiarizado com estas guerras, o comando de batalhão era constituído por um núcleo de comando (comandante, 2º comandante, oficial de operações e secretaria) e uma CCS (companhia de comando e serviços) com pelotões de transmissões, material (armamento, munições e viaturas), operações (chefiado por um alferes com o curso de Operacões Especiais, nos Rangers em Lamego) e sapadores (de que eu era o mui ilustre comandante). Havia ainda pessoal de intendência (vagomestre[5], cozinheiros e ajudantes), serviços de saúde (médico, enfermeiro e ajudantes) e serviços religiosos (padre e sacristão).
Aliás, o BART 6222/73 deve ter sido das poucas unidades sem louvores no fim da comissão. Não porque fosse pior que as outras, mas por ter apanhado um período pouco dado a feitos guerreiros (chegámos a Angola em Novembro de 1973, passámos o 25 de Abril menos de seis meses depois, e daí para a frente pouco mais se fez do que passar tempo para voltar a Portugal).
Pelo meio houve pequenas chatices, tricas e mal entendidos (não vale a pena entrar em detalhes nesta matéria chata) de modo que dos louvores que habitualmente pontuam a folha de serviços dos militares de carreira, quando terminam uma comissão de serviço ou mudam de unidade[7], não houve nada para ninguém.
O médico e o padre eram de rendição individual (não vinham com o batalhão), de modo que os herdámos da unidade que rendemos. O médico era um familiar da poetisa Sofia de Melo Breyner Andresen, estava já um tanto cacimbado e não tive tempo para o conhecer[8]. Foi rendido pelo Dr Defensor de Moura (foto actual, ao lado), um tipo estável e bem disposto que contribuiu ao longo da comissão para desanuviar o ambiente[9]. Voltei a ouvir notícias dele há poucos anos, estava no Hospital de Viana do Castelo. Nas últimas autárquicas (1993 e 97) viria a ser eleito e reeleito Presidente da Câmara Municipal dessa cidade. Em 2009 continua firme e hirto no posto, tentando derrubar o edifício Coutinho, até agora em vão...
As amenidades de Quibaxe e a relativa paz que reinava na região fizeram com que rapidamente parte dos oficiais mandassem vir as caras metade, e alguns (o 2º Comandante) até os filhos e a sogra…
A esposa do Comandante tornou-se directora da escola e as restantes levavam a vida possível de domésticas, pois a vilória era grandinha mas não tinha empregos para todas elas.
A actividade militar do IN[10] era escassa, de modo que a nossa não ia muito além de operações um pouco por toda a área que nos estava atribuida[11]. Mantinhamos uma presença constante que dava confiança (pensávamos nós) aos fazendeiros e às populações, em cujo coração (era garantido!) o amor a Portugal só vacilava ante a ameaça de terríveis sevícias por parte dos terroristas que do exterior moviam contra nós uma guerra inspirada, municiada e comandada por Moscovo!(catecismo, vulgata lusitana).
Escuso de dizer que a seguir ao 25 de Abril descobri rapidamente que o MPLA estava activo na região, abstendo-se de acções militares, mas mantendo uma intensa acção de mobilização junto da população que lhe permitiu surgir com uma implantação muito forte (inclusive em Quibaxe) logo após a queda do antigo regime.
Quanto aos fazendeiros, se bem que não fossem à bola com o MPLA, mantinham com ele um modus vivendi que permitia que vivessemos todos em boa harmonia (ou pelo menos, evitando chatices onde elas não existiam...)As operações eram realizadas pelos pelotões das companhias de atiradores e pelo pelotão de operações da CCS. Ao meu pelotão, sapadores, competia erigir fortificações (felizmente estavam todas erectas), reparar picadas, fazer pequenas construções, proceder a demolições com explosivos e (claro!) desactivar minas e armadilhas.
Esta coisa das minas, felizmente, nunca foi biscate que nos tocasse, e estou muito satisfeito por não ter tido oportunidade de adquirir experiência nesse ramo.
A nossa actividade principal, quando não estávamos destacados a reparar picadas ou a fazer paióis (lá iremos) consistia em pequenas missões de recolha de GEs, que participariam nas operações dos pelotões de atiradores.
Os GEs, Grupos Especiais, eram uma espécie de milícias constituídas pela população local, mantendo-se nas suas sanzalas e levando uma vida normalíssima, até que as NT os fossem recolher para participarem em operações. Como bons conhecedores da região serviam de guia levando-nos onde nós queríamos (e evitando os locais que não convinha[12] muito que visitássemos).
Essas deslocações eram, a bem dizer, verdadeiras passeatas, com paisagens muito belas, alternando matas com zonas de vegetação rasteira, com muitos riachos, cuja travessia nem sempre era um mar de rosas. Por vezes tivemos que usar o guincho de um Unimog para libertar outro com uma (ou mais) roda num buraco, no meio do riacho. É claro que íamos sempre inquietos ante a possibilidade de emboscadas, pois a paz e o modus vivendi atrás referidos foram ciência adquirida apenas depois do 25 de Abril...
Um aspecto que me impressionou então foi a quase omnipresença do pequeno comércio (quase sempre representado por um branco já entradote a falar achim, casado com uma preta e tendo, muitos deles, um capataz cabo verdiano).
Depois de uma horitas de bate-cú no Unimog (a estrada até Luanda era asfaltada, havia umas estradas decentes até Bula Atumba e Pango Aluquem, mas o resto eram picadas execráveis e poeirentas), era muito agradável parar numa dessas lojecas de comércio geral, beber umas Cucas ou Fantas fresquinhas, comer uma boa bifana entalada num papo seco e espairecer um bocado antes de retomar a marcha. Nalgumas, até uma mesa de matrecos havia!
O meu pelotão esteve destacado numa fazenda não muito distante do fortim do Dange, a reparar a picada que conduzia àquele fortim. Tratava-se de uma construção isolada destinada a proteger uma pequena ponte que atravessava o rio Dange, numa zona crítica nos tempos heróicos de 61-62.
No tempo em que lá estive a região não era particularmente perigosa, mas o fortim dava ideia do que terá sido a guerra nesta região quando a FNLA (nesses tempos ainda UPA) dominava o espaço fora das estradas e povoações, e a actividade económica não tinha ainda sido restabelecida. As emboscadas aconteciam em quase todas as deslocações e as flagelações a aquartelamentos isolados não deixavam ninguém dormir em sossego.
Com o tempo tudo voltou ao normal, as roças voltaram a produzir em grande, as estradas asfaltadas progrediam a ritmo vivo e a guerrilha foi progressivamente empurrada para as regiões fronteiriças, próximas dos santuários nos países vizinhos.
O MPLA acossado pela FNLA e pelo exército português e tendo perdido os santuários no Zaire, abriu as hostilidades na frente leste. Nos Dembos remeteu-se a acções de mobilização das populações, evitando contactos com as NT.
Com a reactivação das actividades económicas, recomeçou a contratação de bailundos, arrebanhados do planalto central para servirem no norte, cujas populações manifestamente não davam garantias nenhumas de produtividade nem de docilidade.A Fazenda Maria Manuela era um bom exemplo do que se passava com a mão de obra semi escrava: o dono era um senhor já nos seus sessentas, boa pessoa, a quem nunca vi atitudes ou palavras que revelassem índole violenta ou desrespeito pelo pessoal. O capataz, um tipo mais novo, referia-se aos pretos de forma mais desabrida, mas também não seria por aí que vinha mal ao mundo.
O que efectivamente estava errado era a cultura subjacente a esta sociedade que permitia que os contratados trabalhassem de sol a sol, vivendo em instalações absolutamente indignas (a ideia era que nas sanzalas não viviam melhor, portanto, tudo bem…), ganhando o estritamente necessário para pagar na loja da fazenda o que consumiam durante o mês. O Chefe de Posto e os seus sipaios zelavam para que tudo corresse bem e para que o contrato fosse cumprido até ao fim.
Havia casos em que, findo o contrato, a conta na loja da fazenda estava por pagar. A coisa resolvia-se na hora: o contrato era prorrogado por mais um ano para saldar a dívida. O contratado tinha que ter muito cuidado, consumindo o indispensável e evitando multas (por danos provocados na propriedade do patrão), para que não se desse o caso de a dívida, findo o período adicional, ser maior que no seu início.
O dono da roça podia temperar este regime com bondade, boas palavras e tentando levar os recalcitrantes às boas, mas não podia mudar o sistema. É que o sucesso de uma exploração agrícola era (e não o será ainda hoje?) baseada precisamente na existência de mão de obra disponível a custos quase nulos.
Nesta óptica, era fatal que a continuação da generalidade dos portugueses nos novos países independentes era perfeitamente inviável, qualquer que fosse o partido a mandar.
Em Portugal triunfou a ideia de que as nacionalizações eram desejáveis e que as cooperativas agrícolas e as unidades colectivas de produção (as famigeradas UCP) eram viáveis. Mais ainda, que o caminho certo era o que conduzia ao socialismo. Esta ideia foi defendida não só pelo PCP e PS, mas também pelo PPD que votou favoravelmente leis e uma Constituição que previam tudo aquilo.
Parece-me muito natural (e saudável!) que os pretos, ao fim de séculos de humilhações constantes (sentidas principalmente pelos que adquiriram alguma instrução e cultura) desejassem a saída dos portugueses, mandar em si próprios e que quisessem operar todo o aparelho económico em proveito próprio.
A coisa não está a correr bem, mas o princípio parece-me sólido e continua perfeitamente válido:
- nada justifica que um país se instale num território onde a sua presença não é desejada e o organize segundo os seus interesses, secundarizando completamente as pessoas que já lá viviam e os seus descendentes.
Custa-me imenso ouvir pessoas de bem defenderem a presença portuguesa em África sem estranharem que ao fim de 500 anos a alfabetização mal tivesse começado, a burguesia urbana e rural fosse quase inexistente, as amenidades básicas da civilização (mesmo nas cidades) apenas fossem extensivas à população branca e o acesso à justiça fosse pouco mais que uma figura de retórica. Pior que tudo, a Igreja abençoava este estado de coisas, como já o fazia no tempo da escravatura.
Aliás é bom que nos habituemos à ideia de que não é possível esconder por muito mais tempo (e o 25 de Abril já foi há mais de 20 anos) que os escravos foram a principal riqueza que os portugueses “extraíram” das terras que colonizaram em África. Para nossa vergonha, até em Macau nos primeiros 20 anos de domínio, já na segunda metade do século XIX, foi precisamente o tráfico de escravos para Cuba e Peru a principal actividade económica do território (1845 a 1874).
Na Angola por onde andei o preto era um acessório indispensável ao progresso e ao desenvolvimento económico, do qual beneficiava apenas o estritamente necessário para que o desenvolvimento se mantivesse. De certo modo, os regimes coloniais foram os criadores do conceito de desenvolvimento sustentável:
- o preto era espremido de modo a prover as necessidades presentes, mas com conta peso e medida para não comprometer a capacidade das futuras gerações de colonos disporem desse recurso para proverem as suas necessidades.
Não notei que em Angola fosse diferente.Da Fazenda Maria Manuela fomos, após curta passagem por Quibaxe, mandados para o Quiage, que não era mais que meia dúzia de casas, paredes meias com o quartel onde uma companhia independente estava instalada.
Na região teria havido alguma actividade do IN até pouco tempo antes da nossa chegada, mas enquanto lá estivemos, nunca houve ataques nem emboscadas a viaturas ou tropa em operações.
De resto, alguns dos furriéis tinham lá as mulheres o que era sintoma de relativa segurança.
A nossa missão era construir um paiol. De dia, depois do trabalho, jogávamos futebol; à noite fumávamos (tabaco "local"...), bebíamos, e observávamos as osgas a paparem moscas (à luz de velas, depois do gerador ser desligado), e conversava-se até o sono começar a apertar. Num dos jogos de futebol lesionei-me (a sério, não foi como o “desvio para a esquerda” de que falarei mais à frente…), dei cabo de ligamentos e de um menisco, e abalei para Quibaxe, com o joelho num trambolho.
Não voltei ao Quiage. Aleluia!
. . . . . .
NOTAS:
[1] Instituto Superior Técnico.
[2] Escola Prática de Infantaria, uma espécie de linha de montagem (sem malícia...) de oficiais milicianos instalada no convento de Mafra.
[3] Esta expressão já não era muito usada, no tempo do Marcelo as coisas mudavam de nome, mas na essência continuavam a ser as mesmas. Na expressão de um soldado a quem dei instrução, nós íamos para Angola “defender o que era nosso”. A malta desse grupo tinha ideias estranhas: um respondeu-me com toda a convicção que o nosso Presidente era o Salazar (que já fazia tijolo há uns anitos); outro, que quando os pretos chegaram “à nossa África já nós tinhamos lá chegado primeiro”.
[4]O tal bairro, serviu, contudo, um fim muito louvável: era um bom local para se mandar umas quecas (só para quem tinha acesso às chaves...), até porque algumas pequenas acreditavam estar a contribuir, com o seu piedoso acto, para que lhes fosse atribuída uma daquelas casas. Malandrice!
[5] Vá ao dicionário, vá lá, que não lhe posso dizer tudo...
[6] Comecei a tratá-lo por “Irmão” (tratamento que ele retribuia) alcunha que me pareceu adequada às funções espirituais que ele desempenhava. A alcunha pegou.
[7] Bastando para tal não terem sido castigados, não terem tido um desempenho abaixo do normal, nem arranjado atritos com quem propõe os louvores ou lhes dá seguimento...
[8] até porque não parei muito por Quibaxe: fui destacado, em rápida sequência para uma roça de café e para uma unidade vizinha, no Quiage (não vem no mapa), com os sapadores para reparar picadas, construir um paiol, etc...
[9] repito que não vou entrar em detalhes sobre as questiúnculas que, nestes meios pequenos e fechados, se geram entre pessoas obrigadas a viver (e fatalmente conviver) durante um período relativamente longo.
[10] IN, recordo, designa o Inimigo; a nossa malta, a Nossa Tropa, era designada por NT.
[11] a cada batalhão, normalmente reforçado por algumas pequenas unidades como as que referi (PAD e PINT) e eventualmente com companhias independentes, estava atribuída na quadrícula um espaço designado sub-sector que por sua vez estava na dependência do comando de sector, à frente do qual estava um coronel tirocinado (a estagiar para o generalato, para os leigos na matéria). O nosso sector tinha sede em Salazar (actual N’Dalatando) e era comandado por um irmão do Prof Moniz Pereira (treinador de atletismo do Sporting) e depois por um conterrâneo meu, o Coronel Renato Xavier. Este último a seguir ao 25 de Abril andava chateadíssimo por ninguem o ter posto ao corrente do que se preparava, ficando, assim, fora do barco. Acabou por não atingir o generalato.
[12] Naturalmente, só posso falar pelo que se passava na “minha zona”. Após o 25 de Abril vi alguns dos GEs tranquilamente misturados com o MPLA alguns dos quais, segundo me deixaram entender, já estavam com o movimento desde há muito. Esta promiscuidade era possível com o tipo de paz em que vivíamos; já os Flechas (uma espécie de PIDE preta) tinham pouca margem para ambiguidades e faziam mesmo serviço “à séria”, como os comandos africanos na Guiné. Mas isso são outras histórias...















ando a Nova Lisboa, resta dizer que esta cidade viria a ser quase totalmente destruída após a independência, tendo estado sucessivamente na posse dos Sul Africanos, FNLA, UNITA, MPLA (cercada pela UNITA durante vários anos sem electricidade e com pouca água). Acabou por ser evacuada pelo MPLA, e ocupada pela UNITA, para ser recuperada pelo MPLA, anos depois.


















